27 junho, 2017

Tempo dos doutores.

aqui disse que por hábito do trabalho trato todas as pessoas por você.
Às vezes tenho até dificuldade a tratar por tu como me pedem para o fazer. Mas se há coisa que me faz mesmo muita confusão é tratar as pessoas por Doutor ou Doutora.
É coisa que me deixa encavacada, e até um tanto envergonhada. Primeiro porque eu não sou obrigada a saber as habilitações académicas de cada um. Depois porque mesmo que o sejam doutores ou doutoras não acho que seja uma uma forma de denominação. Atenção, não quero com isto tirar o mérito de quem o é. Todos fizemos os nossos esforços para concluir os nossos cursos e tenho a certeza que o final dos mesmos já é uma recompensa. Não me parece, de todo, é que esta designação seja uma recompensa. Ou pelo menos para mim não é.
Ainda no outro dia, ao telefone pedia para falar com X pessoa. Assim que pensei dizer o nome da pessoa lá coloquei o Dr. atrás não fosse a pessoa ficar ofendida. Sim, porque já me aconteceu pedir para falar com o fulano Y, e me corrigirem do lado de lá que é o Dr. Y. E isto leva-me aos arames! Não tenho que saber quem é ou não Doutor. Aliás isso não me interessa para rigorosamente nada. Se fizer o seu trabalho em condições pode ter a 4ª classe que me é completamente indiferente.

A mim deixa-me envergonhada esta forma de tratamento porque parece que estamos a elevar quem tem cursos superiores. Parece que quem os tem, tem uma forma de tratamento que outros não tem. Até mesmo quando são uns profissionais de m*rda! O respeito deve ser por todos. E para além disso, fica tudo tão formal, tão distante. Gosto de pessoas mais terra a terra. Pessoas que se dão entre si. Que não precisam desses formalismos para conversar abertamente com alguém. Prefiro mil vezes que me tratem por menina (como diariamente sou tratada e gosto!!!) do que doutora!

E este desabafo deve-se, não só a situações habituais de trabalho, mas porque brevemente haverá um encontro que envolve profissionais da minha área e eu não vou. Não vou porque o namorado faz anos e também porque comecei a imaginar todas os diálogos assim: "Então Doutor X como está? Oh Doutora J está tudo bem, e consigo?" e pronto, desisti logo da ideia!


2 comentários:

  1. O mundo em que vivemos é o que é.
    Prefiro não omitir o dr, para que a conversa comece bem.
    Nos países anglo saxónicos, Dr, só mesmo o médico. Aí acabam-se os melindres.
    Beijo

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  2. Normalmente, quem exige ser tratado por doutor é porque realmente não tem competência para sê-lo e necessita dessa festinha no ego para se sentir alguma coisa de jeito. Portuguesices.

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