10 maio, 2017

Dilemas da vida real

Gostava de entender melhor as pessoas. Assim num sentido geral. De perceber o porquê de dizerem alguma coisa. De entender porque tomam certas decisões. No fundo gostava de entrar dentro da cabeça delas e saber o que as levou até ali.

Hoje numa conversa com uma amiga fiquei a pensar ainda mais nisto. Na sequência de alguém que ficou viúva e agora sente-se na adolescência a viver um romance não aprovado pelos filhos.
O que sente uma pessoa quando perde o companheiro/a de vida?! É que aquela pessoa foi a escolhida para formar família. Foi escolhida para ser nosso apoio nos bons e maus momentos. É diferente de família. Família não é escolha. Mas o nosso companheiro é. E é escolhido para ser nossa família e/ou para formar família connosco.

Mesmo que depois não seja. Houve uma altura que foi. E nessa altura era para sempre. 

Depois de se perder alguém como o conseguimos substituir? Como podemos passar por tudo novamente, e achar que aquele será para sempre, e lidar com a perda de alguém anterior?!

No caso em concreto tratava-se de um casamento de mais de 20 anos. Independentemente de ser ou não um casamento feliz (cada um sabe de si) foi um casamento. Casamento que proporcionou a constituição de uma família, com mais dois filhos. Ela ficou, ele morreu. E agora ela tem alguém. Alguém que a faz sentir-se nas nuvens. Num mundo completamente diferente do que ela viveu até agora. Não acredito que ela tenha conseguido esquecer o primeiro. Aquele com quem passou tantos anos e pai dos seus filhos. Mas agora encontrou alguém que a fez sair da realidade em que vivia e transportou-a para o outro lado. Aquele do encantamento. Mas apesar dele ter partido ficaram cá os filhos que se opõe a esta nova relação.
Que ela é livre de fazer o que quiser com quem quiser bem sabemos, mas conforme tem de haver respeito de filhos para pais, o mesmo é exigido de pais para filhos. E para os filhos, esta nova pessoa passar lá por casa nem que seja de visita é uma afronta. É uma falta de respeito e consideração por quem já partiu. 

Eu compreendo a posição dos filhos, mas também compreendo a posição da mãe que tem todo o direito de dar seguimento à sua vida. Mas assim, a morte não destruiu esta família, mas o pós morte está a fazê-lo. 

E agora pergunto, como é que esta família se volta a comportar como tal?! Quando os filhos acham que a mãe não os está a respeitar. Acham que a mãe está a invadir o seu espaço, bem como a memória do seu pai. Quando acham que foi cedo demais para ela assumir uma nova relação e de uma forma tão intensa que a sobrepõe aos seus filhos. 
Mas por outro lado a mãe acha que os filhos estão a ser egoístas e não entendem que ela também tem direito a refazer a sua vida. Ela não é percebe o porquê dos filhos lhe negarem compreensão neste caso, e se afastarem.


Como é possível fazer com que todos estes danos não se tornem irreversíveis, e esta família volte ao ponto onde tudo começou? 


3 comentários:

  1. Existem pessoas que têm maneiras diferentes de sofrer, existem aquelas que não conseguem ultrapassar os problemas e outras que preferem arranjar "algo" para completar esse vazio...
    Falo por mim, os meus pais estão casados à cerca de 24 anos, se o meu pai falecesse e a minha mãe encontrasse alguém que a fizesse feliz, eu só tinha que aceitar e ficava bem comigo mesma por saber que ela tinha alguém que a confortasse e a tratasse bem, era pior se a maltratasse! Mas lá está, isso vai da mentalidade de cada um.
    Beijinhos, welovecr.blogspot.pt

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  2. É muito difícil dar a opinião em relação a isto porque é uma sensação tão difícil e é difícil sermos justos :\

    THE PINK ELEPHANT SHOE // INSTAGRAM //

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  3. A questão é que temos que nos colocar mais vezes no lugar do outro. Se ela já não era feliz há muito tempo e nem por isso desistiu do pai deles, por muito que lhes custe, eles têm que aceitar e procurar ficar felizes com a felicidade da mãe, que fez o pai feliz enquanto por cá andava! Isso é que conta. A vida é demasiado pequena para nos preocuparmos com algo que não tem nada que ser preocupação. Estamos é habituados a ter tudo de forma fácil e acabamos por dramatizar com pouco. Isto é a minha opinião. Cada um sabe a sua história. Ninguém pode criticar ninguém quando não andou com os sapatos do outro. Há histórias e histórias é certo, mas ela não está a tirar felicidade a ninguém... ou não deveria!

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