15 fevereiro, 2017

Tema controverso.

Falar de crianças é sempre um pau de dois bicos. Pois se eles são a coisa mais fofa deste mundo, também conseguem ser uns verdadeiros terrores. E fora isso, também há as duas visões diferentes de quem já tem filhos e de quem não os tem. Evidentemente que as opiniões, bem como a experiência será completamente diferente.
Não sou mãe. Mas planeio ter filhos. Tudo a seu tempo. Quando ambos acharmos que estamos preparados para isso, quer a nível financeiro, quer a nível mental. 
Gosto de crianças. Gosto da alegria que elas trazem a um sítio, a uma família. Gosto de as ver crescer, e acompanhar a fase dos primeiros passos, primeiras palavras, primeiros raciocínios, e às vezes até as birras (lá está, ainda não tenho filhos por isso não custa nada!!!).
Mas quando elas começam a crescer, e ter a sua independência e autonomia, quando começam a socializar, a frequentar as escolas, e a ter os seus amigos é quando a personalidade da mesma se vai formando. E acho que é essencial as crianças serem acompanhadas nessa fase. Deixá-las experimentar, ver, pensar, mas estar lá para encaminhar, para ter a certeza que estão no seu caminho.

Não sou nenhum entendida em crianças (alguém é?) mas tendo em conta a atualidade não podemos comparar a nossa infância (que já foi há alguns anos) com a infância que se vive agora. As coisas mudaram, evoluíram. Sim eu sou do tempo (adoro dizer isto) de brincar na rua, sem qualquer preocupações para os meus pais. Computador só havia um, fixo em casa, que tinha de ser partilhado por mim e pelo meu irmão, mas já eu era maiorzinha. O primeiro telemóvel só chegou quando já andava no 6º ano. Mas é claro que os miúdos agora vivem numa era tecnológica. É normal que aprendam super cedo a mexer em telemóveis, computadores, tablets. E habituaram-se a eles, a jogar neles. E é isso que eles gostam. Se antes eu vibrava em jogar às escondidas no meu lugar, eles agora esperam ansiosamente pelo momento em que vão poder jogar aquele jogo no computador.
Não é que eu seja a maior apologista desta forma de socializar, mas compreendo-a. O que não compreendo é os exageros. É certo que tudo que é em exagero faz mal, por isso aplica-se o mesmo nesta situação.

É um exagero um miúdo ainda andar na escola primária e ter um telemóvel topo de gama. É um exagero, um miúdo ter um computador portátil, e ao final de 2 anos pedir outro porque quer um melhor. É um exagero miúdos de 10 anos irem para cama com o telemóvel sem horário para o largar. Tal como é um exagero (e um perigo) miúdos desta idade acederem à internet sem qualquer supervisão. Não é só o facto de estarmos perante uma era claramente tecnológica, mas sim estarmos numa era consumista. Os pais tendo possibilidades querem dar tudo aos filhos. Com certeza que quando for mãe e o meu filho me pedir deste género de coisas, eu também vou dar. A questão é ter noção do limite. Quando saber dizer o não, seja pelo excesso de pedidos, seja pelo valor desses mesmos pedidos. Eu ainda sou daquelas que quando vejo um miúdo com o último iphone na mão a dizer que foi a prenda de natal abro a boca de surpresa. 

Se a criança já tem idade para pedir e ter esse género de "brinquedos", também tem idade para perceber que tem de os estimar, e que aquilo não cai do céu. Que não basta fazer o pedido que vai voltar a ter e melhor. É preciso dar valor.

Cada um educa da forma que melhor sabe e quer. Mas ao contacto que tenho tido com crianças parece-me que se estão a perder valores e princípios que antigamente eram sagrados. Estamos numa era tecnológica e essencialmente consumista, mas os princípios devem manter-se. Esses que nos foram ensinados pelos nossos pais, e que tenho a certeza  que pretendemos passar aos nossos filhos. Com todo o mimo e prendas  merecidos. 

5 comentários:

  1. isso não são brinquedos. não é para crianças. nao sou mãe, mas os meus filhos vao andar na rua a brincar e a sujar-se, não vão jogar no telemovel. não quero ser daqueles pais que tanto vejo que passam o telmovel para a mao dos filhos mal chegam ao café para os miudos ficarem calados e entretidos. para mim isso é ser um pai horrivel.


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  2. Concordo com vc! Sabe... acho que na nossa época de criança os pais eram mais atenciosos com esses detalhes de brinquedo. Trabalho em escola e vejo cada coisa são noção! A pior delas é criancinha de 6 anos com telemóvel... é o fim!

    Bjinhos,
    ❥ AmigaDelicada.com.br

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  3. Eu também só sei o que vejo porque também ainda não sou mãe apesar de o querer muito mas... tudo a seu tempo! Não acho saudável uma criança andar com telemóvel ou entreter-se em frente a um computador. Nem para os adultos é saudável quanto mais para as crianças!

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  4. Trabalho com crianças e posso dizer que muita coisa mudou em tão pouco tempo. Eu tenho 30 anos e o meu grupo de crianças com quem trabalho vai dos 9 anos aos 12 anos, portanto digamos que em média há uma diferença de idades na ordem dos 20 anos. E em 20 anos isto mudou tremendamente. E os pais e as famílias propriamente ditas também mudaram muito. Hoje em dia, os pais querem ter sábios em ponto pequeno lá em casa. Há muitos pais que se preocupam apenas com as notas escolares do filho mas será que param para pensar se ele(a) é verdadeiramente feliz?
    Hoje em dia quando se tem 10 anos e não se tem telemóvel é-se considerado um ET. E os outros entram numa de gozo com quem não tem telemóvel, com quem não se veste com roupas de certas marcas e a lista poderia continuar... Não sei o que nos reserva o futuro mas tenho medo. Muito medo.

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