02 fevereiro, 2017

Morte.

A forma como a morte de alguém próximo nos abala é uma coisa estrondosa. Um sentimento que quase não é possível explicar em palavras. Só se sente.
Até à data de hoje nunca perdi ninguém que me fosse muito próximo. Pais, irmão, namorado, amigos, pessoas do meu dia a dia mantém-se tudo aqui comigo, uns com mais, outros com menos saúde, mas estão cá, e presentes.
Mas quando alguém morre, e eu vejo os seus familiares próximos completamente desolados o meu coração fica muito pequenino. Porque imagino. Imagino quando me acontecer isto a mim. É um pensamento egoísta, pensar só em mim, e naquilo que vou sentir. Mas a verdade é que penso na falta que essa pessoa me vai fazer, e na impossibilidade de a voltar a ver e de voltar a conversar e lidar pessoalmente com ela. Eu sei que as pessoas vão fisicamente, mas fica-nos o pensamento. Ficam-nos as conversas mentais, aquelas que procuramos ter quando lhe sentimos a falta. Mas não é a mesma coisa. Já não há interação.
Cada vez que penso nisto, os olhos enchem-se de lágrimas, e o peito fica cheio, tão cheio que parece que vai rebentar. Porque o sentimento de que isto vai mesmo acontecer, e eu não vou conseguir fazer nada para o impedir, é uma impotência tão grande que parece que me rebenta o peito. Que me pára a respiração. E me pára os pensamentos. Pára tudo à minha volta e eu só fico com a imagem do que será de mim sem os meus!
E se o sofrimento já é assim só de imaginar, então quando acontecer a dor vai ser de tal forma lacerante que eu vou mesmo parar de respirar. E o meu peito vai mesmo explodir de dor.
Porque mesmo que a morte não seja desejada, ela vai chegar. Mesmo que se esteja a espera ela vai chegar. E mesmo que não se esteja à espera ela vai chegar também. Mesmo que seja mais tarde ou mais cedo, ela vai chegar.

Porque se há coisa certa nesta vida, é que a morte vai chegar.

4 comentários:

  1. Às vezes, também penso nisso e o coração aperta. Muito. Já não tenho pai mas era pequenina, não senti. Claro que se sente falta mas é diferente. É doloroso. Não tem explicação.

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  2. É aproveitar muitas Limonadas da Vida enquanto se anda por cá! Quando ela vier logo se vê. A morte é inevitável, seja a nossa, seja as dos que nos são queridos, mas a vida, viver à séria, aproveitar tudo ao máximo, é uma escolha. Como diz a minha colega de ginásio, eu prefiro viver.

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  3. Eu já perdi o meu avô e a minha tia e é horrível. Põe-nos a vida em perspectiva sabes? :|

    THE PINK ELEPHANT SHOE // SORTEIO DE UM PERFUME ‘BLUE WONDERS’ NO FACEBOOK //

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  4. Infelizmente desde muito cedo que conheço esse sentimento e é algo tão duro e cruel que não dá para explicar. As memórias não pagam a ausência das pessoas que estavam connosco todos os dias e não nos matam as saudades. E sempre aquele pensamento de que tudo era tão diferente se aquela pessoa estivesse connosco. Os conselhos que precisamos daquela pessoa que não vamos mais ouvir, aquele abraço que não vem mais. E já estou a chorar só de me lembrar, é mesmo um tema muito delicado para mim. Eu não quero que as pessoas que estão perto de mim envelheçam porque morro de medo de perder mais alguém...

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